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Zetti: "Se os jogadores apoiassem o sindicato, o futebol pararia no dia seguinte"

Em entrevista ao Esporte Fino, Zetti fala sobre a vida de empreendedor, explica por que deixou de ser técnico e critica a falta de diálogo entre o Bom Senso FC e o sindicato

 “Só vou parar aqui quando o Zetti arranjar um clube pra mim”, diz Bunyu, um dos 350 alunos da Fechando o Gol, escola de goleiros criada há cinco anos pelo agora empreendedor Armelino Donizetti Quagliato, mais conhecido como Zetti, e mais dois sócios. Mas há um pequeno detalhe: Bunyu tem 71 anos e brinca com a sua própria disposição em continuar treinando ao lado de garotos e adolescentes.

Quando o blog chegou para a entrevista, a chuva era forte em São Paulo. Ninguém parecia se importar. Os treinadores aumentavam o tom de voz para estimular ainda mais os goleiros, que rolavam pelo gramado sem qualquer cerimônia. O ambiente familiar é marcante. Depois da aula, um treinador pega com um garoto de 12 anos alguns macetes sobre um jogo de videogame. Zetti cumprimenta cada aluno que encontra e, mesmo sendo uma prática rotineira, os meninos não conseguem disfarçar o olhar de admiração. Em entrevista ao Esporte Fino, Zetti fala sobre a vida de empreendedor e relembra momentos marcantes da carreira. Opina, ainda, sobre o futuro do futebol brasileiro, seleção brasileira, Bom Senso FC e a identificação dos jogadores com os clubes.

Momentos antes do papo, vários garotos entram no gramado com passo firme e apertando as luvas. Alguns pais acompanham tudo do lado de fora, atentos aos movimentos e sonhos de suas crias. Sonho que Zetti começou a realizar quando deixou a cidade de Capivari em 1980 carregando a certidão de nascimento para provar que tinha só 14 anos, apesar de sua altura.

Como surgiu a ideia de montar a Fechando o Gol?

Ela existe há cinco anos, mas começou a nascer em 2007, quando passamos a tocar toda a documentação e regularização do negócio. Eu queria passar para essa galera que nunca teve oportunidade de treinar em equipes grandes tudo o que aprendi como profissional. A gente recebe garotos que se preparam para os testes nos clubes. Eles vêm aqui com 8, 9 anos. Com 13, já está preparado para fazer uma avaliação nos clubes.

Existe a cobrança dos pais em relação a isso?

Não vendo isso nem faço essa promessa para o pai, mas consigo avaliar se o menino está preparado para disputar uma vaga em um clube. É feeling. Às vezes, a maneira como ele joga não agrada a um clube, mas, de repente, encaixa em outro que está precisando de um bom goleiro no momento.

Por que você decidiu virar técnico?

Não me preparei para parar de jogar. Trabalhei com os melhores treinadores do futebol brasileiro, mas em nenhum momento parei para pensar em ser treinador e absorver o que tem de melhor em cada técnico. É o melhor estágio possível, mas poucos focam nisso. Mas aí fui convidado para ser treinador das categorias de base do São Paulo. Fiquei um ano e dois meses. Na sequência, fui contratado pelo Paulista de Jundiaí, lá fui vice-campeão paulista. No mesmo ano, consegui subir o Fortaleza para a primeira divisão [do Campeonato Brasileiro]. Comecei a estudar, a fazer cursos, tirei o Cref [certificado do Conselho Regional de Educação Física]. Só que, na verdade, vai muito além disso. Não é só ser treinador. Há uma estrutura enorme por trás. E aí começa a pesar o tempo que você atuou como atleta e a família.

É mais feliz hoje como empreendedor do que era como treinador?

Hoje vivo muito mais feliz com a vida que tenho em São Paulo. Conviver com amigos, trabalhar com futebol, ser comentarista de rádio, dar palestras e fazer o que eu gosto. E viajando bem menos. Ou viajando com mais prazer, sem a obrigação da profissão.

Após o começo promissor como técnico, você foi saindo do circuito. O que deu errado?

O futebol é um meio difícil. Como atleta, você é um comandado. Simplesmente executa aquilo que faz muito bem. Como treinador, não depende só de você. As pessoas te usam.

Usam de que forma?

Em contratações de jogadores, por exemplo. Te usam de uma forma que você não está presente. Você pede um atleta e vem outro. Da mesma posição, mas você não quer aquele. Só que aquele vem por outros interesses. Não pelo interesse técnico. Você acaba entrando num meio em que não o interesse maior não é ser campeão, é ganhar dinheiro. E eu comecei a não participar desse jogo. A minha divergência em relação a isso é muito grande.

Isso é comum pelos clubes que você passou?

Na Série B um pouco mais. Tem clube que não tem interesse nenhum em subir. Precisam fazer altas contratações, é muito caro e inviável subir. Dá muito trabalho. Agora, se manter na Série B e vender três, quatro jogadores é o que todo mundo quer. Com o pensamento que eu sempre tinha de ser campeão ou brigar por títulos, comecei a bater de frente com essa mentalidade.

O que mais te desestimulou na profissão?

Eu já tinha outros problemas. No Paulista, tive que fazer uma cirurgia no rosto por conta de um câncer de pele. E a vida de técnico é o dia interior debaixo do sol. Saúde e família também pesaram. Mas o pior foi me ver envolvido em algo que eu não compactuava. O Pintado, o Adilson, caras da minha geração, falavam que eu não poderia parar porque o futebol precisa de pessoas do bem. Mas eu disse a eles que precisava parar antes que mudasse pro outro lado, que está cada vez mais forte.

“Eu precisava parar [de trabalhar como técnico] antes que eu mudasse para o outro lado [do jogo de interesses]“

O que você mais sente falta como profissional do futebol?

A pressão de responsabilidade, algo que eu convivi a vida toda. Mas a idade vai passando e você começa a se preocupar com outras coisas.

Nunca mais será treinador?

Não uso essa palavra forte [nunca], mas não quero. Hoje os meus projetos são outros.

Pode adiantar algum projeto futuro da Fechando o Gol?

Estou focando na posição de goleiro. É o que eu sei fazer e que está dando certo. Já estamos consolidados como uma empresa nesse ramo. A ideia é abrir outra unidade em São Paulo para dar oportunidade para pessoas de outro bairro, já que o deslocamento na cidade é complicado.

Que tipo de surpresa vocês tiveram ao abrir a escola?

Uma grande descoberta é que a gente consegue também ensinar os professores de educação física a treinar goleiros. Temos casos de professores que saíram de academias e já estão trabalhando em clubes. A vantagem é que os professores treinam crianças, adolescentes e profissionais, enquanto o clube só proporciona treinamento para o profissional.

E em relação aos alunos?

A variedade do público. Temos alunos de todas as faixas etárias e com expectativas diferentes. O Bunyu tem 71 anos e é um dos nossos alunos mais antigos. Eu o invejo. A disposição que ele tem com essa idade motiva os demais. Tem um goleiro que não joga, apenas treina. Alguns alunos são maratonistas. À noite, tem uma turma que trabalha o dia todo e se dedica duas vezes por semana aqui para jogar a pela de domingo. E esse prazer faz a diferença na vida da pessoa.

Quantos alunos estão matriculados hoje?

São mais de 350. Em média, ficam aqui de um a dois anos, porque têm o objetivo de treinar nos clubes. Os adultos ficam mais tempo. Temos ainda uma parceria com uma empresa para alguns garotos de 18 anos que têm qualidade, mas não terão espaço para jogar no Brasil, por conta de altura, concorrência. Aí conseguimos manda-los para os EUA, com bolsa de estudo.

E como funciona a metodologia dos treinamentos?

Levamos dois anos para montar isso. Na primeira semana, tínhamos 20 garotos de 8 anos. Aí eu pensei o que iria fazer com aqueles meninos. Não poderia dar um treino como eu tinha com o Valdir de Moraes. Aí colocamos no papel essa metodologia para colocar em prática com os alunos, independentemente da idade de cada um. Na primeira aula a gente faz uma avaliação para ver o estágio do aluno e identificar o que ele precisa. Aos poucos, ele vai passando de nível. Iniciação, intermediário e alto rendimento. Como no judô, ele vai repetindo os movimentos e passando de nível. Dentro dessa metodologia buscamos respeitar o aluno, levando em conta o seu nível técnico e físico, além de entender a sua expectativa e acompanhar a evolução.

Vocês buscaram alguma referência no mercado?

Nada, a metodologia foi toda criada aqui. Não tínhamos nenhuma referência no Brasil. Apenas o que aprendi no São Paulo, mas só profissional. O diferencial é que temos paciência para ensinar o menino, o que no clube não acontece. Só fica quem é alto, tem qualidade e com potencial de futuro. Eu tenho que fazer com que o menino saia daqui com qualidade, sabendo o que é a posição de goleiro. Se vai ser profissional, é outra história.

Algum aluno da Fechando o Gol já foi parar em grandes clubes?

Sim, temos vários casos. O Leonardo está no profissional do Palmeiras. O Vinicius, no sub-15 também do Palmeiras. Tem o Matheus no sub-14 do Corinthians.

O goleiro sempre foi visto como o jogador que não deu certo na linha. Isso mudou?

Mudou bastante. O material esportivo do goleiro chama muita atenção. A luva, a camisa, a postura do goleiro e as plásticas dos movimentos também atraem mais jovens hoje. O garoto fica imaginando como seria pegar um pênalti e isso desperta nele uma curiosidade em buscar algo diferente.

O goleiro tem um status muito diferente em relação às demais posições?

O que chama a atenção é o cara que faz o gol, mas quando você vive a emoção de atuar na posição de goleiro, a sua paixão é fazer uma defesa difícil. O goleiro só vive isso. Eu só não aceito comemorar defesa. Acho muito feio. Não aconselho e não deixo os meus goleiros fazerem isso.

Por quê?

Porque você pode tomar um gol no lance seguinte ou no último minuto e acaba o jogo desmoralizado. Comemora no final, depois do apito do juiz. Se o seu time venceu por 1 a 0 e você pegou um pênalti , aí comemora, esmurra o peito, grita, faz qualquer coisa.

É comum o goleiro esperar muito tempo até estrear como titular. Como ele administra isso?

O treinamento é muito importante para a vida do profissional, independentemente se está jogando ou esperando uma oportunidade. O que está de fora tem que treinar e mostrar que é melhor do que aquele que está jogando. Não tem alternativa.

Por que os clubes não adotam muito rodízio para a posição?

Goleiro, quando não está bem, troca. Às vezes demora mais, porque o goleiro precisa de mais ritmo de jogo, mas tem que trocar quando compromete o time. No Vasco, esse ano, foi assim. Passaram três goleiros e nenhum acertou. Mas quando o time também não está bem, também estoura no goleiro. Só que você não pode falhar todo jogo. Às vezes, você tem um erro pontual, mas o seu time venceu por 2 a 1. Quando você falha, o seu time perde e não consegue reagir com um atacante, aí pesa para o goleiro e para o treinador de goleiros. Goleiro fica bom tomando gol. Só que você não pode tomar o mesmo gol duas vezes.

O goleiro tem que ir para um time de menor expressão quando não tem oportunidade num grande clube?

Depende da idade. Quando é jovem, tem que se arriscar. Tem que jogar, ir para a Série B, estar em atividade. Quando você atinge uma maturidade e já rodou em vários clubes, aí precisa se afirmar. E aí não quer dizer que você é titular, mas pode ser um reserva esperando uma chance. Mas se já tem certa idade e está na reserva de um time pequeno, aí tem que sair. Às vezes, é melhor dar um passo pra trás. Ir jogar num time de menor expressão no interior de São Paulo ou em outra divisão e depois voltar para um time grande.

Como foi contigo?

Com 18 anos, cheguei ao Palmeiras, tinha dez goleiros no elenco. Falei que queria jogar e fui emprestado para o Toledo. Fui considerado o melhor goleiro do Estado do Paraná, campeão brasileiro de juniores pela Seleção do Paraná. No ano seguinte, quando voltei ao Palmeiras, já era reserva do Leão.

Qual é o seu goleiro para a Copa do Mundo?

Julio César.

E os outros dois?

Victor e Jefferson. O Diego Cavalieri corre por fora. Mas tudo depende do momento que o clube que eles representam atravessa. O Fluminense não está bem, e o goleiro também não. Hoje, o Fábio, do Cruzeiro, seria também um nome para ir para a Copa do Mundo, com experiência e muita qualidade. Não seria surpresa.

O Brasil vive uma crise técnica na posição de goleiros?

Nós temos goleiros com menos qualidade de decisão. Temos goleiros bons nos clubes, mas não excelentes. Não quero ser saudosista, mas teve uma época com Zetti, Taffarel, Velloso, Carlos, Paulo Victor, Sergio Guedes. Qualquer um teria potencial para ser titular da seleção. Hoje não é mais assim.

E isso representa algum risco para a Copa?

Nós dependemos muito do Julio César. Como a Copa é aqui e com toda a pressão que vai existir, jogando em um Maracanã lotado, vai voltar toda a lembrança do Barbosa. Tem que ter vivência em Copa e experiência para ser titular. Se o Julio se machucar, eu levaria Rogério Ceni ou Dida no lugar. Não teria medo de apostar neles.

Há quem defenda a tese de que o Jefferson só não é titular por conta do trauma em relação ao Barbosa.

Não pode existir esse pensamento. Barbosa foi muito injustiçado. A condenação popular foi cruel. Uma crítica dessas não cabe hoje no futebol mundial.

Como você enxerga a decisão do Diego Costa em optar pela seleção espanhola?

Concordo plenamente com a decisão dele. Faria o mesmo, se tivesse começado a jogar futebol na Espanha. Ele já está dentro dessa mentalidade. Não vai perder a nacionalidade, o país dele é aqui, mas a decisão foi pensando no futuro. O Brasil tem muitos atacantes e ele não iria para uma Copa do Mundo. Não teria chance na seleção do Felipão.

“Concordo plenamente com a decisão dele [Diego Costa]. Eu faria o mesmo”

E sobre a declaração do Felipão de que o jogador estaria abandonando o sonho de milhões de brasileiros?

O único cara que está convocado com certeza é o Julio César, como o próprio Felipão já anunciou. Se ele deixasse claro que o Diego estaria no grupo da Copa, talvez a história fosse diferente. Mas isso nunca aconteceria. E na decisão dele ninguém pode interferir.

Qual foi o auge da sua carreira?

Não teve um melhor momento. O auge foi a fase no São Paulo no início da década de 90. Meus melhores anos foram 92 e 93, quando o encaixe do elenco foi perfeito. Depois participei das eliminatórias, foi um período que marcou muito. No Palmeiras, fiquei 13 jogos sem tomar gols com 20 anos de idade. Também foi algo absurdo ficar tanto tempo sem tomar gol em um time que ainda estava se montando.

O episódio do chá de coca na Bolívia foi o momento mais difícil? [em 1993, exame antidoping feito por Zetti após jogo da seleção apontou presença de cocaína. O jogador alegou que havia tomado chá de coca e foi absolvido]

Foi. Eu estava na Venezuela com a seleção brasileira, quando recebi a notícia de que o exame tinha registrado vestígio de cocaína no jogo contra a Bolívia. Quem me avisou foi o repórter Cosme Rímoli. Eu desmoronei.

E como foi a defesa?

Eu não tinha que provar minha inocência para o Brasil. Eu tinha que provar para a Fifa. O Rimba, lateral da Bolívia, também tomou o chá de coca e foi pego no doping. Outro fato que ajudou é que nos dois últimos jogos pelo São Paulo na Libertadores contra o Universidad Católica fui para o exame e não deu nada. A CBF juntou esses resultados para me defender.

Em algum momento você temeu pela sua carreira?

Foi uma semana que demorou uns cinco anos, de tantas perguntas que tive que responder, preocupação, família. Fui afastado do futebol por cinco dias. Recebi todo o apoio do São Paulo. Sou muito grato também ao Marco Antonio Teixeira, responsável pelo departamento médico da CBF naquele período, que me acolheu e me acompanhou o tempo todo na minha defesa.

O episódio de alguma forma te prejudicou para a Copa de 94?

A minha grande oportunidade era nas Eliminatórias. Estava no ápice das condições física, clínica e técnica. Em 94, qualquer um que jogasse, tanto eu, o Taffarel ou o Gilmar, seria campeão do mundo. O time estava muito fechado e era um grupo de muita qualidade. Não lamento não ter jogado a Copa. Lamento não ter jogado as Eliminatórias, que poderia ter me levado à titularidade na Copa do Mundo.

O que Telê Santana representava para o São Paulo?

Quando chegou ao São Paulo, o Telê pegou o time numa depressão profunda. O time voltava de um Campeonato Paulista ruim, aquela indefinição se havia caído ou não, saída de jogadores. Em 90, fomos vice-campeões do Brasileiro, e o Telê reformulou o time no ano seguinte. Mas ele carregava ainda uma pressão de ser pé-frio por causa da Copa de 82. Começou a ser rejeitado por gente de dentro do clube.

E quem o segurou na época?

O [José Eduardo Mesquita] Pimenta, que era o presidente do clube. Ele que bancou o Telê com toda a diretoria. Em 91, inverteram o calendário e já fomos campeões do Brasileiro. Entraram Antônio Carlos, Cafu, Elivélton. Aí o Telê começou a contratar jogadores desconhecidos, baratos e cada atleta que chegava era fundamental no time. O jogador era reconhecido, valorizado e vendido. Com o Telê, o clube começou a ganhar dinheiro, além de títulos. Ao mesmo tempo, ele valorizou as categorias de base, montou o Expressinho.

E como ele era no dia a dia com os jogadores?

O Telê Santana tinha o lado paizão e o lado durão, de cobrar bastante os jogadores. Tem uma frase dele que me marcou muito: “A repetição de movimentos te leva próximo da perfeição”.

Foi o melhor treinador com quem você trabalhou?

Foi, sem dúvida.

Destacaria outros?

Ênio Andrade, Vanderlei Luxemburgo, Paulo Autuori, Parreira e Muricy Ramalho.

E os zagueiros que te deram mais segurança na sua carreira?

Ronaldão, Adilson, Válber, Antônio Carlos, Júnior Baiano e Ricardo Rocha.

E os atacantes que mais te deram trabalho?

O que mais fez gols em mim acho que foi o Oséas. Sofria com ele, quase todo jogo marcava. Era difícil posicioná-lo dentro da área. Roberto Dinamite, Romário, Evair, Edmundo e Neto também deram trabalho.

Qual a sua posição sobre o Bom Senso F.C.?

Essa bandeira já foi levantada muitas vezes. Na minha época, já aconteceu isso. O atleta sempre foi prejudicado. Os próprios clubes começaram a recusar contratar jogadores ou até mesmo a dispensar atletas que reivindicavam melhorias no futebol brasileiro. Eu tinha a Lei do Passe. Todo mundo era contra a Lei do Passe. Mas quem era contra acabava sendo colocado de escanteio.

Você é cético então em relação à atuação do movimento?

Quem tem que tomar essa decisão é o Sindicato dos Atletas. O sindicato é muito forte, talvez o mais forte do país, só que não é aproveitado. E os atletas são culpados disso, porque não procuram o sindicato para conhecer os seus direitos. Todo mês tem a contribuição sindical que sai direto do holerite do jogador. O atleta não sabe o destino disso nem vai atrás. O jogador a cada seis meses troca de clube, então não se apega ao futebol. Não encabeça um movimento em São Paulo, porque amanhã está no Rio, em Minas, fora do país. Não quer nem saber o que está acontecendo com o sindicato.

E qual a solução?

Se os jogadores apoiassem o sindicato porque entendem o que ele pode fazer pela classe, o futebol pararia no dia seguinte.

Alguns líderes do Bom Senso querem deixar um legado para os futuros jogadores. Você acredita nisso?

Não acredito. Toninho Cecílio foi presidente do sindicato. Quando começou a tomar partido contra os clubes, foi rejeitado e dispensado do Palmeiras. O Vladimir, que também passou pelo sindicato, teve problemas parecidos. O atleta não pode fazer uma greve sem o aparato sindical. Se os atletas não acreditarem e não tiverem confiança, que se mexa no sindicato, e não que se crie outra entidade. Tem que falar a mesma língua.

“Não acredito [no legado do Bom Senso FC]. Se os jogadores apoiassem o sindicato, o futebol pararia no dia seguinte”

O futebol era mais legal na sua época?

A gente tinha muito mais valores jogando juntos no Brasil. Era mais difícil sair, não havia passaporte comunitário. Pra sair, você tinha que ser campeão de tudo. Zico saiu com 24, Sócrates, com 25, Raí, com 26. Não saía porque chutava bem na bola. Saía porque era campeão brasileiro, da Libertadores, jogava Copa do Mundo. Hoje, é um comércio. Não joga na Itália, mas vamos encaixá-lo na Ucrânia. Dois anos, traz o cara de volta.

É mais difícil um jogador hoje ter identificação com o clube e se transformar em um ídolo?

O cara se torna ídolo não pelo tempo que fica no clube, mas sim pelos títulos que conquistas. Às vezes, um jogador fica três meses e ganha Brasileiro, Libertadores e Mundial. E vira o maior ídolo do clube. Mesmo que seja vendido depois para a Europa, marcou presença. E tem aquele que fica oito anos e não ganha nada. Ídolo é a conquista. Só assim entra para a história no clube pelo resto da vida.

O Alexandre, que morreu em um acidente de carro em 1992, era o seu sucessor?

Era. O Telê gostava muito dele. Era muito bom, um goleiro completo, pronto, com reposição de bola, rápido. Não tinha experiência, mas a tendência era me suceder. Ele chegou a disputar dois jogos da Libertadores de 92 e foi muito bem, inclusive.

Parte da imprensa e da torcida critica o Rogério Ceni por não preparar o seu sucessor. Você tinha essa preocupação?

Não, você só pensa no momento. Ninguém substitui ninguém com a mesma característica. O próximo goleiro que entrar no gol do São Paulo terá que ser ele próprio, e não um espelho do Rogério Ceni. O próximo goleiro não precisa fazer gol, bater pênalti. Quando saí, o Rogério criou essa marca, mas porque tem qualidade e conquistou títulos. O Rogério vive o momento dele. Quem está atrás dele, seja o Dênis ou qualquer outro, tem que estar muito bem preparado e contar uma nova história.

Dos clubes que você passou, o São Paulo é o que tem a melhor estrutura?

Disparado. Hoje, o São Paulo está muito melhor do que na minha época, mas a diferença é que os outros também cresceram. Você tem estruturas fantásticas no Cruzeiro, Atlético Paranaense, Atlético Mineiro, Grêmio, Inter. Os clubes estão se moldando à necessidade do futebol. Antes se dizia que onde o goleiro pisava não nascia grama. Ninguém mais fala isso, porque tem dez campos de treinamento. Antes tinha um só, onde você jogava, treinava, fazia coletivo, Hoje, o goleiro não pisa só em um gol.

Seus favoritos para a Copa do Mundo.


Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina.

Brasil seria favorito se a Copa não fosse aqui?


Não seria. O Brasil é favorito para a Copa da Rússia, em 2018. É um time jovem, que dá pra repetir muitos jogadores, coisa que não aconteceu na África do Sul. Lá, a Alemanha era jovem e agora está repetindo quase todos os jogadores para essa Copa, assim como a Argentina. Brasil é favorito porque joga em casa e vai se desdobrar.

Gosta do Felipão?


Gosto, no momento é o cara certo.

Qual foi o jogo da sua vida?


São Paulo e Palmeiras, em 1994, pelas oitavas de final da Libertadores. Pacaembu, jogo de ida, 0 a 0 [o tricolor venceu o jogo de volta por 2 a 1]. Missão cumprida.

Fonte: Esporte Fino


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